quarta-feira, 10 de setembro de 2008


*Peça "OS BANDIDOS" pelo grupo Teatro Oficina Uzyan Uzona.

Direção Zé Celso Martinez Corrêa.

Perestróika no Capitalismo.

Desguetização.

Blog:http://www.tempestadedoardor.blogspot.com/

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Terra de Ninguem



Terra de Ninguem


Por Caio Rocha



Numa galáxia muito distante no Universo inerte, existia um planeta com Terra.

Nele habitavam seres, humanos, com ambições, desejos, dúvidas e paixões. As dúvidas surgiam dos desejos e nessecidades, aliados a vontade de viver libertadoramente, como sempre viveram sem nenhuma espécie de repressão, física, intelectual ou espiritual.

Só que seus Moiras (destinos) foram cruzados com os de outra espécie extra-terrena, os Oríxas do planeta branco, seres mais evoluídos em todas as formas possíves, principalmente na tecnologia.

Carentes de paixões e vitalidades, eles viviam viajando e vagando na orbita inter-galactica, a fim de encontrarem calor, fogo orgânico. Mas apesar de suas inteligencias, a carência os afetava como uma forma devastadora em seus “corações” tornando-os frios e calculistas.

Depois de tantas e tantas viagens no “nada”, os Orixas do planeta branco avistaram o planeta terra dos seres humanos e sentiram um calor, uma espécia de chama por dentro física e emocional, não conseguiam explicar a sensação e resolveram pousar sua nave naquele planeta quente e acolhedor. Aparantemente tudo poderia se harmonizar, mas pela falta de entendimento dos sentimentos e da comunicabilidade, ocorreu justamente ao contrário...o sangue, a chama do poder da dominação junto ao egoísmo, se espalhou por todo o planeta, e os Orixas brancos com sede e fogo de dominar, travaram uma guerra com sensação de ser eterna contra os seres humanos, que viviam ali perdidos nas mandalas de cores, cheiros, temperos e misturas.

Escravidão, repressão e totalitarismo foi a ordem do espaço, guerras e guerras foram travadas durante séculos entre os seres humanos que tinham paixão e muito amor pra dar, mas que não possuiam a inteligência técnica e precisa dos seres extra-terrenos, que necessitavam de algo menos racional e civilizado mas não entendiam nada da natureza de como deixar-se perceber e viver o presente.

Assim com tantas perdas de ambos lados como tudo que se destruiu e se perdeu, os Orixas perceberam que sua carência, se trasformou num buraco negro do tamanho do Universo, e que mesmo munidos de armas, inteligencias e algumas ditas “vitórias”, nada exatamente nada poderia preencher o seu construído Buraco, nem trazer de volta o que se foi perdido num espaço sem fim de galaxia, caíram em si de que vinham deles próprio o mal, que se transformava em mal-invasor para aqueles que habitavam o planeta de seres simples na forma, mas imensos em sensações,magia, energia e alma.

E com o pesar do tempo seu maior inimigo, o silêncio penetrou por todos os seres e espaços, e durante milênios ambos os lados da história viviam em um silêncio total, individual e coletivo, lamentando e dosando o caos e o negativo que suas ações moldaram naquele espaço planetário.

Mas de forma lúcida e translúcida, a consciêcia da vida, do nada e do Uno brotou na mente de cada ser, como um destino-contrário, e uma senda reveladora se revelou diante dos seus olhos, realizando, experimentando, onde tudo começou a nascer de novo, os seres, a curiosidade pelo próximo, junto aos sentidos, sentimentos, fatos, cores, corpos, renovações aconteceram, em meios a cheiros, raças, diferenças e separações preenchendo o vazio, com vitalidade, fertilidade e sêmen.

Percebendo e sendo tudo isso os seres humanos ligados de forma humana e trans-humana com os Orixas, concretizaram o passado de forma transformadora rumo ao futuro, mas agora mais pensantes de si, de seus antepassados, do presente, sabendo compartilhar com o outro tudo que possuiam na mente , corpo e espirito, se projetaram juntos numa nave-pílula pelo espaço sem fim.

Com uma gênesis resumida a sangue e sêmen, puderam aprender outra forma de poder que desconheciam, que é o poder da ligação, da transformação e do ser.

Círculando aspiralmente sempre.


(inspiraçoes da aula de jardingem com Mariano Mattos)


Bixigão...Sampá